
Vida que chega de repente, sem bater, sem avisar. E já veio fazendo mudanças, transformando duas vidas em uma só e fazendo dessas vidas um tormento sem fim, onde os dois se vêem sem saída e sem ter o que fazer.
Entretando, visto que chegou sem aviso, partiu da mesma maneira. Sem deixar nenhum vestígio, nem recado, nem abraço, nem um gesto de afeto, como se fosse rejeitado sem nem ter tido chance de se apresentar. Só o que resta é a lembrança daquele ser que poderia ser uma linda criança, mas o destino não quis deixar desse nosso mundo ele disfrutar.
E que sem razão nenhuma, não havia explicação, de repente ele sentiu parar de bater seu coração, se sentindo sufocado, foi ficando agoniado, tentou de tudo pra sair dessa, só que tudo dava errado. O que seria aquilo? Terá sido provocado? Ela jamais faria isso, ele ja estava sendo amado. Quando ela descobriu, já era tarde, não havia salvação, o pequeno ser já não tinha pulsação. E tudo por culpa de uma medicação que ela havia tomado há alguns dias, não era sua culpa, ela não fazia nem idéia que na sua barriga um bebê crescia. Como ela contaria pra sua família, que no seu ventre um novo e pequeno coração batia?
Mas Deus escreve certo por linhas tortas, e o bebê partiu deixando um bilhete na porta: "Fiquei por pouco tempo, mas todo tempo é o bastante pra viver a vida de qualquer forma emocionante. Não fui pêgo em seus braços, mas pude estar dentro de ti, não haveria melhor lugar. Uma criança, não tive chance de ser, mas não perco a esperança de que um dia a gente vá se ver."
E essa mãe, como fica? Com a saudade no peito e a certeza na mente de que ainda terá sua chance novamente.
Escrevi este em homenagem à uma pessoa querida.
Mel.

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