sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

No fim.


Acabou. Dessa vez com mais força, quando os dois já não tinham mais forças para manter a relação de pé. Quando o amor já não era mais razão suficiente para deixar tudo do jeito que estava ou como gostaríamos que estivesse. Já que foi tanto tempo em que se fizeram cúmplices, amantes, namorados e enamorados.
Poucos dias para se apaixonar e tantos para aproveitar o tempo que passaram juntos. Tempo muito bem aproveitado, todo o desejo saciado, embora tudo se faça desimportante se o coração é maltratado. Contudo, nada de fato está acabado.
Um amor real é sempre muito natural. Coisas acontecem despercebidas, atos cometidos sem pensar, erros se mostram exaltados quando eram mantidos secretos no íntimo de cada um. Segredos que se ocultavam com firmeza se tornam transparentes e expostos com clareza.
É aí que a mágoa do presente faz voltar coisas do passado. Talvez um amor mal acabado, mal resolvido e também mal amado. Ou um passado distorcido, magoado, marcado e mal vivido. A vontade de viver novamente e terminar o interminável, desperta a vontade de querer viver de novo aquele passado. Mas a incerteza do amor sofrido traz a tristeza de um coração partido. E quem iria querer isso outra vez? É bem melhor seguir e esquecer o que aquele amor fez.
O amor nos faz pensar em coisas boas, pára o tempo, nos faz cometer atrocidades, nos faz sorrir e chorar ao mesmo tempo. Por amor pulamos muros, rolamos asfalto... Montanhas abaixo. Dançamos no compasso de qualquer música, mudamos de roupa e até de comportamento, gargalhamos por nada e choramos para chamar a atenção.
Quando há amor, o tempo passa e a gente não vê, tudo acontece sem que percebamos. Fazemos coisas sem pensar, planos, promessas e loucuras. Fugimos às regras e somos capazes de até matar. Imagine esse amor tão imenso acabar. A dor é incontrolável, gigante e imediata. Daí, perguntamos: "Depois de tudo o que passamos?", "Tem certeza de que é isso que você quer?" ou "E agora, como vou viver?". Chega, então, o momento de levantar a cabeça, sorrir e reconhecer pra si: "Nasci sem ele, vivi muito para ele, fiz muito por ele, fui feliz. Mas a vida é de quem mesmo? Minha! Agora é hora de viver para mim, fazer por mim e ser feliz comigo mesma."
A saudade machuca. A dependência ainda existe e o amor continua imenso. Mas chegou a hora de viver sozinha. Você não pode ficar chorando, se lamentando e se perguntando o que ele deve estar fazendo naquele momento. A conformação um dia chega e traz com ela força e sustentação.
Não importa o que você faça, o importante é que te faça bem. O que bem fizer, pra si é.

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