
Já pensou em como seria viver como uma borboleta? Já parou para pensar em como deve ser bom voar? E quantas vezes você já percebeu como é linda a pintura de suas asas? Alguma vez você notou quão brilhante elas são? Duvido que tenha sentido vontade de acariciar o corpo veludo de uma delas. Dá para contar nos dedos quantas vezes pude ver bem de pertinho esse encanto voador. E, de longe, eu admiro sua força e suavidade juntas. Queria eu ser livre feito uma borboleta! Mas será que elas são livres de fato? Certa vez, li um texto que falava sobre um homem piedoso que ajudou uma borboleta a sair de seu casulo, pensando estar ajudando-a. O que o bom homem não sabia era que aquela borboleta precisava se esforçar, forçar e até se ferir (se fosse o caso) para que pudesse, enfim, sair do casulo. O casulo era seu cárcere, alojamento finito. Um dia, ela se libertaria, em vista que viveu muito tempo rastejando em sua vida de lagarta. Mas tudo aquilo era preciso. Quando o homem de boa vontade abriu o casulo, ele fez a maior maldade com a natureza: deixou uma borboleta inválida. Sua invalidez a impedia de voar, suas asas nem abriram de fato, pois não teve a chance de forçá-las para tentar abrir o casulo. O homem, ao ajudá-la, pensou que ela estivesse pronta para sair e apenas não tinha forças para rasgar o forte saco que a segurava. Infelizmente, este homem cometeu um grande engano. Tirara eu deste texto uma grande lição. As pessoas precisam se esforçar, precisam cair e se levantar sozinhas, têm a necessidade de se ferir para sentir dor e cuidar de suas feridas. Se não souberem como agir em situações difíceis, não saberão viver jamais. Como uma criança aprenderá a andar, se não a deixarmos se levantar sozinha quando cair? E como seguirá em frente se não a deixarmos caminhar sozinha? Algumas coisas precisam ser feitas sem ajuda. Se bem que uma mãozinha não faz mal. Considera-se livre a borboleta da história? E você, considera-se livre? Ou preso eternamente em sua própria preguiça e acomodação? Levante desta cadeira e vá viver. Desacomode-se, liberte-se! E eu ainda viro uma borboleta.







